Patrícia Palermo analisou certezas e incertezas do cenário econômico em evento da ACI

O futuro do planejamento empresarial diante dos desafios da economia para 2026 ganhou destaque na reunião-almoço “Tá na Hora”, nesta quinta-feira (11). A última edição do ano do tradicional evento empresarial da Associação Comercial e Industrial (ACI) de Santa Cruz do Sul foi uma promoção conjunta com a Unimed Vales do Taquari e Rio Pardo (VTRP). Empresários e lideranças regionais reuniram-se no restaurante do Hotel Águas Claras para acompanhar a palestra de Patrícia Palermo, economista-chefe do Sistema Fecomércio-RS e referência em análise conjuntural no Rio Grande do Sul. Com o tema “Cenário Econômico 2026: Certezas e Incertezas”, a economista apresentou um panorama completo de oportunidades e desafios macroeconômicos à comunidade empresarial da região.
Doutora em Economia Aplicada pela UFRGS, Patrícia Palermo iniciou sua projeção apontando para uma desaceleração generalizada no horizonte de 2026. A nível global, a projeção é de um crescimento abaixo da média histórica, pressionado por questões geopolíticas e uma política comercial americana que caminha para mais protecionismo e incerteza, resultando em menor eficiência mundial.
Segundo a especialista, o Brasil deve enfrentar um “ano mais morno”, com a economia crescendo, mas “perdendo ritmo”, devido a fatores que combinam incertezas globais e desafios estruturais domésticos.
A principal pressão sobre a atividade econômica continuará vindo da taxa de juros. Embora se espere uma queda da Selic dos atuais 15% anuais, a taxa permanecerá em um patamar elevado. “É um afrouxar em que a gente continua sentindo o aperto,” resumiu Palermo, destacando que a taxa de juros real continuará a exercer forte pressão sobre o crédito e a dinâmica da dívida.


Além dos juros, 2026 será marcado pelo primeiro ano de funcionamento da reforma tributária, que exigirá adaptações significativas das empresas, e por um clima eleitoral polarizado.
Proatividade Empresarial
Diante deste quadro de incertezas externas e riscos fiscais internos, Patrícia Palermo enfatizou a importância da gestão interna e da proatividade empresarial. A mensagem central é focar no que é controlável e transformar o negócio. “Não temos uma maré que leva todo mundo para a frente. Então, o que significa isso? Que todo mundo tem que dar braçadas largas se quiser chegar no lugar onde deseja,” declarou.
A economista aconselhou as empresas a priorizarem o equilíbrio do fluxo de caixa, alertando que “uma empresa, mesmo com lucro, pode quebrar se não tiver o fluxo de caixa equilibrado”. A tomada de crédito também deve ser vista com extrema cautela, dada a natureza estruturalmente alta dos juros no país. “A tomada de crédito ela tem que ser racionalizada e extremamente estratégica,” afirmou.
Revolução demográfica
Outro ponto central da análise foi a revolução demográfica. Com a população envelhecendo rapidamente, Palermo critica o foco excessivo na juventude, ignorando o potencial de consumo do público mais velho. “Eu brinco que colágeno e dinheiro no bolso não andam juntos,” provocou, sugerindo que as empresas devem adaptar produtos e serviços para aproveitar esse público, que possui maior renda disponível e um “potencial de consumo fantástico.”
Despedida
A edição do Tá na Hora de dezembro também marcou o encerramento do ciclo da gestão de Ario Sabbi na presidência da ACI. Em sua fala, na abertura do encontro, Sabbi fez um breve balanço de sua gestão (2024/2025). Mencionou o quadro desafiante que encontrou na entidade, com problemas financeiros e passivos, além de questões ligadas a estrutura física da sede, que exigiriamações pontuais e uma postura muito firme de sua gestão.
“A boa notícia é que deixamos agora a ACI com as contas saneadas e uma perspectiva de futuro que honra sua tradição centenária e importância na história empresarial da região e do Estado”, ressaltou.
O dirigente usou a palavra resiliência para definir o principal atributo que motivou o grupo a acreditar e trabalhar para devolver o protagonismo da ACI como uma das entidades mais representativas da região.
Em novembro, a Assembleia dos associados elegeu por aclamação Marco Antônio Borba presidente da ACI e reconduziu Tironi Paz Ortiz como vice-presidente para a gestão 2026-2027. Os novos dirigentes tomam posse automaticamente em 1º de janeiro.
O Tá na Hora conta com o patrocínio de empresas como Banrisul, BRDE, BAT, Gazeta Grupo de Comunicações, JTI, Philip Morris Brasil, Sicredi, Unimed, UNISC e Universal.