
Mobilizar lideranças do estado para ir à Brasília e sensibilizar o governo federal da importância de priorizar questões que dificultam a retomada do desenvolvimento do Rio Grande do Sul foi a conclusão do debate realizado no Tá na Mesa da FEDERASUL desta quarta-feira, 06, que teve como tema a “duplicação da BR290 no RS: um caminho essencial ao Brasil”. Além da duplicação da BR290, outros dois assuntos vão fazer parte da pauta de reinvindicações: a desconexão férrea do estado com o resto do país e os problemas dos municípios da faixa de fronteira e sua conexão com o Mercosul.

No evento, o superintendente Regional do DNIT Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes no RS, Hiratan Pinheiro, fez um diagnóstico dos investimentos e do andamento das obras de duplicação, divididas em quatro eixos. A estimativa é de que ainda sejam necessários investimentos de aproximadamente R$ 1 bilhão (R$ 875.187.984,83) para a totalização das obras que dependem da liberação de recursos pelo governo federal.
Também foram palestrantes do evento o presidente do CODEPAMPA – Consórcio do Desenvolvimento do Pampa e prefeito de Quaraí Jeferson Pires e o presidente da AMFRO – Associação dos Municípios da Fronteira Oeste e prefeito de Itaqui Leonardo Betin. A duplicação da BR290 mobilizou ainda os prefeitos de Barra do Quarai, Manoel Viana, Alegrete e Uruguaiana, três ex-prefeitos (Uruguaiana, Livramento e Alegrete) e um representante do prefeito de Livramento
.Obras de duplicação
O lote 1 tem uma extensão de 29,7 km, sendo que até o momento foi executado 16,6% do total contratado. Está em fase de preparação a licitação dos serviços remanescentes. O investimento total desse lote é de R$ 301.658.760,22. Ainda faltam a ser executadas as obras correspondentes a R$ 268.661.165,95.
Esse lote está sendo reprojetado com planejamento de uma elevada de 5,0 km para atender aos novos níveis de cota de cheias, após a Calamidade Pública de maio/2024.
O lote 2 prevê um investimento total de R$ 356.806.843,04. Com extensão de 30,08 km, foram executados até o momento 9,9% do total contratado. Ainda tem como saldo a ser executado: R$ 319.466.130,73. Recentemente, em 30 de abril, o Ministério dos Transportes autorizou o reinício dos serviços.
O Lote 3 tem uma extensão de 27,03 km a um custo total de R$ 198.430.489,47. Ainda faltam ser executadas as obras correspondentes a R$ 175.930.489,47. Esse contrato foi reiniciado em 2024, sendo que até momento foram executados 41,2% do total contratado.
O Lote 4 tem uma extensão de 28,7 km e um custo estimado em R$ 66.463.269,69. Foi executado até o momento 84,5% do total contratado. Recentemente foi executada a duplicação de oito quilômetros entre os quilômetros 199 e 207. E, para junho deste ano está prevista a liberação de outros quatro quilômetros (do 207 ao 211).
Itaqui

Em sua manifestação, o prefeito de Itaqui, Leonardo Betin, disse que a falta investimentos nas obras de duplicação da BR290 fragiliza a região e prejudica o desenvolvimento regional, além de afastar possíveis novos investimentos privados nos municípios. “O Rio Grande do Sul perde cada vez mais o protagonismo que já teve no país pela ausência de investimentos do governo federal”.
Quaraí

Para o prefeito de Quaraí, Jeferson Pires a fronteira oeste do estado vem sofrendo com a nordestinização dos municípios, correndo o risco de deixar de ser o corredor logístico do Mercosul. “A falta de investimentos em infraestrutura impacta negativamente na região. Além disse são muitas mortes nas estradas causando perdas imensuráveis”.

O presidente da FEDERASUL Rodrigo Sousa Costa destacou que o Rio Grande do Sul não pode aceitar a decadência como destino do descaso do governo federal com o estado. “Precisamos destravar a capacidade produtiva do RS. A duplicação da BR290 precisa ser reconhecida como obra prioritária do país, não somente do estado”, finalizou.

O vice-presidente de infraestrutura da FEDERASUL, Antônio Carlos Bachieri, reafirmou a importância da articulação e mobilização do estado em defesa das obras necessárias para a recuperação do desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul.