A irresponsabilidade fiscal do pacote de 10 benefícios na pré-eleição

As medidas anunciadas pelo governo federal às vésperas das eleições foram consideradas estelionato eleitoral e abuso do poder econômico pelo prefeito Melo.

          O prefeito de Porto Alegre e presidente da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP), Sebastião Melo, considera um “estelionato” e uma “irresponsabilidade eleitoral e fiscal” a série de medidas aprovadas pelo governo federal às vésperas das eleições oferecendo benefícios imediatos à população visando ampliar o apoio político nas urnas. “É uma farra sem precedentes”, argumentou. O prefeito Melo e o ex-vice-prefeito de Porto Alegre e membro do Conselho Consultivo da FEDERASUL, Ricardo Gomes, foram os convidados do Tá na Mesa da FEDERASUL desta quarta-feira (21) que teve como tema: “Brasil: Quem está pagando a conta? As decisões de hoje e suas consequências para as próximas gerações”.

          As principais medidas do governo federal, que vêm sendo apontadas como parte do chamado “pacote de bondades” em ano eleitoral, incluem benefícios sociais, renegociação de dívidas, subsídios a combustíveis e ampliação de linhas de crédito. Segundo levantamento da IFI (Instituiição Fiscal Independente), o conjunto de dez medidas mais recentes tem impacto potencial estimado em R$ 74,6 bilhões até o fim de 2027.

          Melo aponta ainda que a desorganização da gestão administrativa está causando um “desarranjo da máquina pública” que impacta diretamente nos municípios. “Somente em decorrência da nova escala de trabalho estamos estimando um rombo de R$ 35 bilhões nas contas da prefeitura de Porto Alegre”. Diante desse cenário, Melo defendeu o fim da reeleição. “Para mudar o Brasil é preciso mudar o sistema eleitoral, mudar, inclusive a forma de indicação dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF)”, acrescentou. 

Crime eleitoral

          Para Ricardo Gomes o governo Lula está cometendo crime eleitoral e abuso do poder econômico. Ele acredita que o resultado das eleições no primeiro turno mostrou um novo quadro político que revela uma pressão por mudanças no país.   Ricardo Gomes defende que o Brasil precisa ser rediscutido a fim de restaurar a legalidade, além de uma reforma eleitoral, política e tributária. “A democracia brasileira está ferida. O país precisa ser pacificado”. 

Populismo eleitoral

          Sobre a redução da jornada de trabalho, aprovada apressadamente às vésperas das eleições, o presidente da FEDERASUL, Rodrigo Sousa da Costa, lembrou que poderia ser boa se o trabalhador tivesse renda para desfrutar nas horas de folga.  Mas que, ao contrário disso, terá que buscar uma segunda fonte de renda para cobrir as despesas já que terá redução no salário.

          O dirigente acrescenta que o Brasil está sendo vítima do populismo eleitoral, lembrando que contribuintes, consumidores, empresas e as futuras gerações poderão enfrentar a maior carga tributária. “As medidas implantadas pelo atual governo vão influenciar a qualidade dos serviços públicos e a capacidade de desenvolvimento do Brasil nas próximas décadas”.