A virada do agro no ano que vem

Em nova fase desafiadora os agricultores precisarão sair da zona de conforto com uma nova lógica mais exigente, seletiva e capacidade de gestão eficiente

         O agronegócio deve passar por uma “mudança brutal” no próximo ano, com impactos diretos sobre a rentabilidade e a forma de produzir no campo. O alerta é do presidente da Brasoja, Antônio Sartori, que foi o palestrante do Tá na Mesa da FEDERASUL desta quarta-feira (08). Sartori foi convidado para abordar  o tema “Agro, o que vem pela frente? soberania ambiental e energética”.

         Ele disse que, no ano que vem, o agronegócio entra em uma nova fase desafiadora marcada pela virada do ciclo econômico avançando para um ambiente de maior pressão financeira. O aumento dos custos de produção, aliado à instabilidade dos preços deve reduzir a rentabilidade e exigir decisões mais estratégicas dos produtores. “A instabilidade geopolítica, as mudanças climáticas e a volatilidade de mercado são fatores que aumentam os riscos e tornam o planejamento mais desafiador”, explicou.

         Sartori acredita que o produtor rural precisará atuar cada vez mais como gestor, adotando práticas de controle financeiro, uso de tecnologia e tomada decisão baseada em dados, acrescentando que o maior controle operacional passa a ser condição essencial para a sustentabilidade dos negócios. “O agro brasileiro seguirá sendo relevante no cenário global, mas sob uma nova lógica, mais exigente, seletiva e orientada por eficiência, onde a capacidade de gestão será determinante para atravessar o novo ciclo”, complementou.

Inteligência produtiva

         Apesar das incertezas, o dirigente vê a crescente demanda global por alimentos como um fator positivo. A expectativa, segundo ele, é de o Brasil aumentar a produção de soja, passando a ocupar posição estratégica no abastecimento mundial. Nesse contexto, os mercados internacionais, com destaque para a China, seguem exercendo forte influência sobre preços. “O agro do futuro será cada vez menos dependente da expansão territorial e mais sustentado pela inteligência produtiva. O sucesso da produção agrícola dependerá da capacidade de transformar conhecimento e inovação em resultados concretos no campo”, enfatizou.

         Para o presidente da Brasoja, a questão energética também é fator estratégico de competitividade, já que o aumento da dependência de energia exige maior previsibilidade e eficiência. Antônio Sartori aponta a busca por autonomia energética como um caminho sem volta, ao mesmo tempo em que destaca o potencial do próprio agro como gerador de energia limpa e alerta que limitações de infraestrutura e fornecimento podem se tornar gargalos para o crescimento do setor.

Demanda energética

         Quanto ao avanço da produção de etanol no Rio Grande do Sul, Antônio Sartori, acredita a agricultura passa a atender não apenas à demanda por alimentos, mas também por energia. Na avaliação dele, esse movimento tende a ganhar força no Estado, impulsionado pela disponibilidade de matérias-primas como milho e cana, e pela crescente demanda global por fontes renováveis.” Essa  expansão exige equilíbrio, já que a destinação de grãos para energia pode influenciar a oferta de alimentos, reforçando a necessidade de ganhos de produtividade para sustentar ambos os mercados”, enfatizou.

         Ao receber o convidado, o presidente da FEDERASUL, Rodrigo Sousa Costa, lembrou que o Rio Grande do Sul se movimenta a partir do agro, que nos últimos cinco anos vem sofrendo fortes impactos devido às estiagens e tragédias climáticas. Apesar das dificuldades, o agronegócio brasileiro e gaúcho é pujante e forte. E poderia crescer mais ainda se o país tivesse mais estabilidade econômica. “Os produtores rurais do estado ainda estão tentando amortecer os prejuízos e sofrem impedidos de desenvolver seu potencial diante da falta de crédito”, argumentou.