Família do menino João Lucas Turatti comemora conquistas e avanços desde a chegada e convívio com a labradora Wioleta, mas confessa que presença do cão ainda não é compreendida em alguns locais. Cacis e empresa Plastrela buscam sensibilização de meios comerciais e população em geral

Coletar sangue para um importante exame só foi possível a João Lucas Turatti na presença, agora, da Wioleta, seu novo e especial animal de estimação, que ficou ao seu lado. Passear no shopping ou até mesmo de ônibus não foi mais tão assustador para o menino de seis anos, que tem Transtorno do Espectro Autista (TEA). Pelo contrário, sair de casa passou a ser algo até divertido, desde que ao lado do cachorro, uma fêmea de raça labrador. Nos locais onde o garoto estuda, Wioleta, parte integrante de um inédito projeto para a área de inclusão social, também foi mais um motivo de integração e brincadeiras.
Os relatos são apenas alguns feitos pela família do jovem estrelense à representantes da empresa Plastrela Embalagens Flexíveis Ltda, que viabilizou a inédita experiência em solo gaúcho. A adaptação, segundo os familiares, tem sido muito positiva, já registra conquistas, e só não é ainda mais fácil por conta de algumas situações isoladas, passadas principalmente em espaços públicos e ambientes comerciais da região, onde a presença do cão ainda não é bem compreendida por alguns proprietários de pontos comerciais, ou mesmo clientes.
Acompanhamento



O contato da Plastrela com a família, para uma primeira avaliação de como tem sido a experiência até então, ocorreu logo depois do fim do treinamento de 15 dias feito em parceria com o Instituto Adimax, de Sorocaba (SP), referência nacional no treinamento de cães de assistência para crianças com TEA. Foi a Plastrela que viabilizou o até então inédito projeto, em solo gaúcho, com um cão de assistência destinado a este fim. O mesmo iniciou no mês passado, quando Lucas conheceu Wioleta. Treinada desde filhote inclusive para ser parceira, a nova amiga de Lucas o auxilia em tarefas diárias e oferece apoio emocional em situações de estresse ou crise, promovendo segurança e autonomia ao menino. Desde então são inseparáveis. Parte deste treino e dos atuais dias pode inclusive ser visto em momentos registrados em perfil que registra estes momentos: https://www.instagram.com/joaoewioleta?igsh=eTlqdmkwZzdyZTc5
Evolução
O pai de João, Maurício Turatti, reforça o impacto positivo da Wioleta no cotidiano da família, e em especial, do filho. “Ficamos felizes porque poderiam ser outros a estarem desfrutando deste serviço. Não éramos os únicos interessados no projeto e passamos por diversos critérios até sermos escolhidos. Esperamos que logo outros em situações semelhantes também possam ser atendidos, pois é algo espetacular”, reconhece. Maurício cita como exemplo justamente o exame médico para coleta de sangue, tentado outras vezes sem sucesso, mas que na presença da cadela foi realizado, visto que ela conseguiu acalmar o filho, diminuindo as crises de ansiedade e medos. “E dias atrás precisamos realizar uma aplicação da famosa Benzetacil, injeção dolorida temida por todos. Ao lado da Wioleta foi possível. Sem ela seria muito complicado. E assim tem sido em muitas situações antes impensáveis para o João”, detalha. “É fácil perceber como meu filho está bem mais calmo, feliz, confiante.”
Exceções
Mesmo diante do balanço ainda muito positivo, há situações, mesmo que exceções, que ainda trazem dificuldades. Estas ocorrem geralmente em espaços atrelados a espaços públicos e comerciais, e de toda a região. “Fomos a um mercado em Lajeado. Logo na entrada a gerente veio e disse que não poderíamos entrar com o cachorro lá. Comentei a situação do meu filho, falei da lei 15.555, ainda assim ela me xingou. Mas virou as costas e saiu. Seguimos nas compras. Em outro mercado também fomos bloqueados por um funcionário. Então a gerente intercedeu e explicou para o funcionário que tínhamos o direito. Foi mais fácil. Já em outro local tivemos logo aceitação”, retrata. “Em todos os casos várias pessoas, clientes que presenciaram a cena, depois se aproximaram da gente, buscaram mais informações. E isso ocorreu em outros locais, situações. É visível que ainda falta um pouco de conhecimento de algo que vai se tornar cada vez mais comum”, comenta.
Ajuda
Mesmo que as situações tenham ocorrido em toda a região, a direção da Plastrela, sócia da Câmara de Comércio, Indústria, Serviços e Agronegócio (Cacis) de Estrela, busca o apoio da entidade para viabilizar uma sensibilização de comerciantes e apoiadores locais para um entendimento e direito da “companhia” de um cão de assistência, que é permitida por lei federal. Visitas à Administração Municipal também já foram feitas. Uma campanha de sensibilização pode vir a ser realizada, mas um contato mais direto com apoiadores da Cacis será feito.
Para o presidente da Cacis, Claus Wallauer, trata-se de uma conquista para Estrela e região, também para uma família, ainda mais nos princípios da ajuda mútua que o associativismo preza, mas que mostra como é necessária uma constante evolução por parte de todos. “Os animais de estimação são cada vez mais comuns ao nosso dia a dia e nos espaços que frequentamos. Basta vermos o que ocorre nas grandes cidades, onde são vistos com muito mais frequência em diversos espaços. E isso, atrelado aos animais com fins pedagógicos, para tratamento e outros aspectos, será ainda mais constante, inclusive em cidades menores”, pontua. “O que se precisa é uma grande conscientização quanto ao tema e respeito aos direitos, mas também limites, para que não tenhamos problemas nem exageros, de lado a lado, parte a parte.”
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Fonte: Rodrigo Angeli/AI Cacis fotos: arquivo pessoal