Abuso infantil: é na escola que aparecem os sinais sutis, alerta psicóloga

Segundo encontro do Conexões do Bem, projeto da Parceiros Voluntários de Garibaldi, teve palestra com Márcia Fernanda Mendes, perita do Tribunal de Justiça

Como prevenir e reconhecer sinais de abuso na infância foi o objetivo da palestra “Protegendo sonhos”, ministrada na última quinta-feira, 28/5, pela psicóloga clínica e perita do Tribunal de Justiça Márcia Fernanda Mendes. O encontro foi o segundo do projeto “Conexões do Bem”, idealizado pela Parceiros Voluntários de Garibaldi (PV), e arrecadou 248 garrafas de água mineral para os Bombeiros Voluntários, conveniados à PV.

“Na Unidade de Saúde ou na Assistência Social é mais comum aparecerem sinais físicos evidentes de abuso ou negligência (uma gravidez ou marcas de violência, por exemplo). Na escola aparecem os sinais sutis, porque muitas vezes o professor é o primeiro adulto que é gentil com aquela criança, acostumada a um ambiente hostil, com gritos e invalidação o tempo todo. E essa criança revela na escola que está sendo vítima, através de diversos sinais. A escola é um lugar de onde surgem várias denúncias, mas será que está preparada? E quando acontece, o que se faz, para quem se fala?”, questionou Márcia.

Segundo ela, a orientação principal tanto para os pais e familiares quanto para os professores é prestar atenção aos sinais: mudança brusca de comportamento, sexualização precoce, desenhos que enfatizam as partes íntimas, apelidos para a região genital, tendência a querer se isolar e até banhos muito seguidos. “O educador não precisa investigar, nem ter certeza: precisa perceber, acolher e agir corretamente. É muito importante tratar o assunto com descrição, sem expor a criança novamente para não revitimizá-la”, orientou a psicóloga.

Márcia conta que a maioria esmagadora dos casos de abuso ocorrem na própria família, sendo 95% dos agressores homens e meninas entre as vítimas principais. Entre os abusadores, 40,8% são pais ou padrastos, 37,2% irmãos, primos ou tios e 8,7% avós. “Há muita subnotificação e muitos casos em que a família tem conhecimento, mas prefere ‘abafar’ ou minimizar o ocorrido. Por isso, no caso de suspeita, é importante deixar claro para a criança que acreditamos nela, que ela não tem/teve culpa, que foi corajosa em contar e que não está sozinha”, ensina.

Além de psicóloga e perita, Márcia Fernanda Mendes é autora do projeto “Protegendo Sonhos” – livro e jogo terapêutico voltados à prevenção do abuso infantil – e do livro “O que acontece na infância, não fica na infância”, voltado à autoterapia e transformação emocional de mulheres que sofreram abuso.

O projeto

O Conexões do Bem foi pensado para aproximar a Apeme e a Parceiros Voluntários da comunidade de Garibaldi e região, através da realização de palestras com temas voltados à família, bem-estar e saúde. Todos os encontros são gratuitos, mediante entrega de donativos que são destinados a entidades conveniadas à Parceiros Voluntários. O ciclo de palestras beneficentes tem mais um encontro previsto para este ano, no dia 30/9, quando o ortopedista Dr. Juliano De Bortoli encerra o ciclo com uma palestra sobre estilo de vida.

O Conexões do Bem conta com patrocínio de Essência Farmácia de Manipulação, Estiquese Gym e Sabor Ecológico, enquanto a Parceiros Voluntários de Garibaldi tem como mantenedores: Apeme, Cercatto Assentos e Estofados, CJ Mármores e Granitos, Geometric Auto Center, Metalúrgica Simonaggio, Sanuvitas Laboratórios e Starmobile Design.

Fotos anexas – Crédito: Greice Scotton Locatelli