15ª Jornada Técnica Ambiental reúne lideranças para debater soluções para enchentes no rio Taquari

Programação aconteceu na noite desta quinta-feira (18) e reuniu cerca de 50 pessoas. Mestre e doutor em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental, Walter Collischonn, e o prefeito de Muçum, Mateus Trojan, foram os palestrantes do evento.

Lajeado – Um debate sobre o futuro das enchentes no Vale do Taquari e a apresentação do trabalho realizado em Muçum durante a maior cheia registrada nos últimos anos marcaram a 15ª edição da Jornada Técnica Ambiental da ação Viva o Taquari-Antas Vivo. O evento, realizado pela Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil) e Unidade Parceiros Voluntários (UPV) Lajeado, aconteceu na noite desta quinta-feira (18) e reuniu cerca de 50 empresários e lideranças políticas e comunitárias para discutir estratégias de enfrentamento e prevenção diante dos eventos extremos que vêm se intensificando na região.

Com mediação do coordenador da ação Viva o Taquari-Antas Vivo, Gilberto Soares, a programação contou com exposição do mestre e doutor em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental, Walter Collischonn, que falou sobre o futuro das enchentes na bacia Taquari-Antas. Na sequência, o prefeito de Muçum, Mateus Trojan compartilhou a experiência do Município na gestão dos eventos extremos de 2023 e 2024 e as ações para que estão sendo realizadas para reconstruir a cidade.

Futuro

Collischonn iniciou sua exposição trazendo uma análise aprofundada sobre o que causou a enchente de 2024. O especialista destacou que entre os dias 28 de abril e 2 de maio, o volume de chuva acumulada na região foi o maior já registrado no Brasil em áreas de 10 mil a 100 mil km². “Essa chuva descomunal foi o que causou o episódio que vivenciamos em maio. Foram muitos dias de chuva intensa nas encostas que escoam para o Taquari”, explicou.

Relembrando os três grandes episódios que atingiram o Vale entre 2023 e 2024, Collischonn enfatizou que a de maio superou todas as marcas anteriores. “O evento foi o maior da história em diversos municípios, inclusive em comparação com a cheia de 1941, considerada até então a mais severa”, afirmou. Segundo o especialista os registros de 2024 ultrapassaram em mais de quatro metros os níveis das maiores enchentes registradas nos últimos 150 anos.

Trazendo projeções sobre o futuro, o palestrante fez um alerta sobre os impactos da mudança no clima, que tendem a tornar as inundações cada vez mais frequentes e intensas. “As maiores cheias que nós já vimos em nossas vidas, provavelmente nossos filhos e netos vão vivenciar a cada cinco ou dez anos”, alertou.

Collischonn encerrou sua exposição destacando a importância do preparo e do conhecimento para enfrentar situações climáticas. Ele apresentou e detalhou os pontos positivos e negativos de medidas estruturais e não estruturais que podem ser adotadas para reduzir os impactos das inundações.

Gestão

Na sequência, o prefeito de Muçum, Mateus Trojan, compartilhou sua experiência na gestão do município durante os eventos extremos de 2023 e 2024. A cidade tornou-se símbolo de resiliência, após enfrentar quatro desastres de grandes proporções incluindo temporal de granizo em abril de 2023 até a enchente histórica em maio de 2024.

Entre os episódios relatados, o gestor municipal destacou a enchente de setembro de 2023. Segundo Trojan, na época, as águas do rio Taquari atingiram 80% da área urbana de Muçum provocando destruição em mais de 200 residências e deixando 20 mortos. Ele destacou que, naquele momento, a administração pública precisou lidar com cenários de guerra, onde faltavam recursos, máquinas e mão de obra. Ressaltou a necessidade de expostas rápidas e que, em situações de crise, é fundamental que o líder público esteja próximo da população. “Liderar e ser político é estar presente, sobretudo quando o lugar e as pessoas que você representa mais precisam”, afirmou.

Na cheia de maio de 2024, Trojan comentou que, novamente, 80% da área urbana do município foi tomada pelas águas. No entanto, diferente do que havia sido registrado no ano anterior, o município não registrou mortes. “A resposta do município foi mais rápida. Mesmo em uma situação complicada em questão de comunicação e locomoção, já estávamos mais preparados para aquele cenário”, revelou.

Ao falar sobre a reconstrução do município, o líder municipal revelou que, para os moradores, a prefeitura está realizando obras para entrega de novos loteamentos que fazem parte do projeto de expansão urbana de Muçum. “Esses locais estão sendo entregues com todas as obras de infraestrutura essenciais para a população”, frisou. Como forma de incentivar as empresas a permanecerem na cidade, Trojan revelou que a prefeitura ofereceu incentivos através da doação de um lote de terra em área segura para que as indústrias permanecessem no município. “A melhor forma de superar crises é através da união das forças que restaram, em resgate das que se perderam”, finalizou.

Aprendizado

O presidente da Acil, Joni Zagonel, em sua fala, ressaltou que a programação da jornada é fundamental para refletir sobre os aprendizados deixados pelas cheias de 2023 e 2024. “A Acil tem buscado não apenas trazer a discussão ambiental para dentro das empresas, mas também converter esse conhecimento em ações educativas que podem ser implementadas nas organizações e também levadas às escolas através das oficinas do seminário ambiental”, frisou.

Apoio

A 15ª edição da Jornada Técnica Ambiental da ação Viva o Taquari-Antas Vivo contou com apoio de 3ª Coordenadoria Regional de Educação, Confeitaria Saborita, Florestal Alimentos, Free Agência de Turismo, Fruki Bebidas, Grupo A Hora, Grupo Independente, Grupo Popular, Jacques Imóveis, Secretaria de Educação e do Meio Ambiente de Lajeado, Sicredi Integração RS-MG, Sorvebom, Tabelionato Klein, Unimed VTRP, Universidade do Vale do Taquari – Univates e Vovó Faz Bolo.